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Acordo na execução ou cessão do crédito: as duas saídas de quem não quer esperar

Publicado em 16 de setembro de 2026 · Noel Dourado da Silva Filho — OAB/MG 243.070

Antes de vender o crédito para um fundo, vale saber que existe outra porta — e que às vezes ela paga melhor.

Caminho 1: acordo com a própria reclamada

A empresa condenada muitas vezes prefere pagar agora com desconto a esperar a execução seguir. Quando há interesse dos dois lados, o acordo na execução é homologado e o pagamento sai sem que ninguém compre nada.

A vantagem é evidente: não há terceiro na operação, não há cessão a formalizar e o desconto negociado costuma ser menor que o deságio de mercado. A desvantagem é depender da vontade e da capacidade de pagamento da reclamada.

Caminho 2: cessão do crédito

Aqui um terceiro compra o direito de receber. Funciona mesmo que a reclamada não queira negociar, e o pagamento não depende de ela ter caixa hoje. Em compensação, o deságio tende a ser maior, porque o comprador assume o risco de execução.

A pergunta que quase ninguém faz. Antes de aceitar proposta de fundo, alguém tentou acordo com a reclamada? Em execuções contra empresas ativas e solventes, essa tentativa deveria vir primeiro. É gratuita e pode tornar a venda desnecessária.

Como escolher

Reclamada ativa, com patrimônio e histórico de acordo: tente o acordo primeiro. Reclamada em recuperação judicial, falida, sem bens ou com execução travada há anos: a cessão passa a fazer mais sentido.

Prazo também pesa. Acordo depende de negociação e homologação, o que leva tempo. Quem precisa de valor em prazo curto pode não ter esse tempo.

O que não fazer

Aceitar a primeira proposta sem ter testado a outra porta. É a decisão mais comum e a que mais deixa dinheiro na mesa — porque a comparação que importa não é entre dois compradores, é entre vender e não precisar vender.

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